Fashion Week [DOM009]

by DEDO

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about

Em nosso novo lançamento, apresentamos o trio DEDO (Arthur Lacerda, Lucas Pires e Rafael Meliga), que desde 2012 vêm se apresentando em diferentes abordagens e contextos sonoros. Nesse EP, apresentam uma faixa gravada ao vivo para o desfile da marca Beira (SPFW N45 / 25.04.2018).

Junto a essa faixa, acompanham os remixes feitos pelas artistas Amanda Mussi, Mariana Herzer e Stefanie Egedy.
Por ocasião desse lançamento, DEDO convidou Daniela Avellar pra que escrevesse um texto que acompanha o EP.

Amanda Mussi é reconhecida como importante presença na cena queer underground de sua cidade natal, São Paulo, atuando como dj e produtora. Vem desenvolvendo sua festa mensal Dûsk a 5 anos e é residente das festas Dando*, House of Divas e Kode (Rio de Janeiro).
soundcloud.com/ohmussi

Mariana Herzer é produtora, dj e compositora de trilhas sonoras. Há 8 anos desenvolve sua pesquisa de lives e também de dj sets na cidade de São Paulo, onde atua como residente da Mamba Negra.
soundcloud.com/mari-herzer

Stefanie Egedy vive em São Paulo e mantém o selo Coisas que Matam. Seu moto são os sons subgraves e graves. Em seus trabalhos, usa gravações de campo, sons eletrônicos e de materiais do cotidiano.
stefanieegedy.bandcamp.com
soundcloud.com/stefanie_egedy

Daniela Avellar vive e trabalha no Rio de Janeiro. É mestranda em estudos contemporâneos das artes pela Universidade Federal Fluminense. Escreve semanalmente para a sessão de crítica para a Revista Desvio. Também é dj, envolvida com o circuito de música eletrônica da cidade. Em 2019 foi uma das curadoras da exposição de arte sonora Somarumor, no Rio de Janeiro.

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Espiral de entrada e saída do disco; entre casa e fuga não é uma sucessão, tampouco uma evolução com a escuta, o que se traça? o movimento é circular e processual três tempos coexistem produzindo ruídos vibratórios há som por toda parte. (1) direção em busca de um território É sabido que a aranha tece uma teia capaz de captar uma mosca com precisão. Apesar das duas não se comunicarem diretamente, seus meios são reunidos através de algum ritmo, o que permite uma interação a partir da diferença. Um código implica-se no outro.
É possível introduzir forma ao caos. O som já está acontecendo — ele é produzido em ondas de repetição. Necessário perceber as coisas e suas forças, surfar no fluxo sonoro contínuo e condensa-lo de modo contingente. Traçar alguma linha reta no espaço e persegui-la. Existe algo como o centro? (2) dimensão de territorialidade O personagem do agenciamento é rítmico. A aranha sabe quando uma mosca pousa em sua teia pelas vibrações de suas linhas-fio. A relação se desenrola ao longo delas. Somos centros repletos de condutos.
Os ritmos são expressivos, o sonoro é capaz de criar e delimitar território. Surge um ponto no meio das forças caóticas, uma espécie de crivo. (3) saída ao fora Aglomerados moleculares levantam para a realização de êxodos. Há uma necessidade de saída do meu invólucro corporal. O que pode a escuta? Existe algo além do movimento unidirecional ouvido-som?
Apesar da organização, lembrar que um território é sempre transitório. E essa topologia rarefeita talvez indique o além prescrito: ouvir um som é algo maior do que pode o ouvido, pois é possível mesmo que não haja exatamente o que ouvir, e sim com o que ouvir.
Escuto esse disco como quem opera uma máquina fundamentalmente aberta. Um modo de atingir ritmos, códigos, lugares e deles participar.

Daniela Avellar Rio de Janeiro, Outubro 2019

credits

released November 26, 2019

Capa: Rafael Meliga
Texto: Daniela Avellar
Mastering: Bruno Queiroz

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